São Paulo troca bisnagas por sachês: higiene pública vira custo privado
Restaurantes arcam com aumento de 20% a 30% nos custos enquanto governo estadual transfere ônus sanitário para o setor privado
O teatro da higiene pública ganha novo ato em São Paulo: a partir de domingo (4), bisnagas de molho viram peça de museu, substituídas por sachês individuais. A portaria sanitária estadual, disfarçada de avanço na segurança alimentar, opera na velha lógica do 'quem paga o pato' — no caso, bares e restaurantes. O setor estima aumento de 20% a 30% nos custos com condimentos, agora embalados em doses unitárias que incorporam logística e fracionamento no preço. A Abrasel tenta, em reunião de sexta-feira (2), negociar um grupo de trabalho para amortecer o baque. Mas o timing é suspeito: três meses de 'adaptação' parecem mais um ultimato do que diálogo, especialmente para pequenos estabelecimentos com estoques parados. Enquanto o governo estadual colhe aplausos por 'rigor sanitário', a conta desce goela abaixo dos donos de restaurante — mais um capítulo da crônica paulista onde políticas públicas viram custos terceirizados.